30 de setembro de 2016

MEDIOFONDO ALDEIAS DO XISTO, O PÂNICO!!!

30.9.16
Quando me decidi a participar no Mediofondo Aldeias do Xisto, o primeiro pensamento foi, 11 de Setembro! menos de duas semanas após as férias em familia! vai doer! Mas a verdade é que estas férias em familia tiveram direito a poucos mas bons treinos com a bicicleta, portanto as pernas não sofreriam nem metade do que sofreram no Mediofondo Serra da Estrela.

Quando participo em eventos desportivos, com algum grau de dureza e que implicam deslocações de alguma dezenas de quilómetros, faço questão de ir pelo menos de véspera, para que o cansaço da viagem seja minimizado no dia da competição. Tudo isto implica algum planeamento de logística, nomeadamente verificação de disponibilidade de alojamento e respectiva reserva, trabalho esse facilitado quando temos parcerias, no entanto a escolha do possível alojamento ainda tem de ser feita por nós, enviada por email e aguardar a disponibilidade e respectiva confirmação de marcação ou na impossibilidade, voltar a procurar novo alojamento. 

Para este evento, tudo foi feito durante as nossas férias e não mais pensei no assunto, até poucos dias antes, quando me lembrei de que não tinha obtido qualquer resposta ao meu pedido. O email tinha ido para o spam e ninguém o tinha  recepcionado e agora tão em cima da hora a probalidade de arranjar alojamento era cada vez  menor, tão menor que a dois dias da prova não havia qualquer disponibilidade. Primeira reacção a quente, não vou!!! 

Mas como não sou pessoa de me conformar, decidi que iria no próprio dia, com tudo o que isso implica. E assim foi, levantei-me às 4h da manhã para ter tempo de me despachar com calma e fazer a viagem tranquilamente sem quaisquer sobressaltos, sim pois, está-se mesmo a ver, comigo as coisas nunca são simples e desta vez, aqui o parvo, à falta de um nome pior, quando introduziu a morada no Gps do carro, não reparou que a opção de portagens não estava seleccionada, resultado, até chegar a Santarém, a parte do percurso que eu sabia que era para fazer, o dito Gps mandou sair da auto-estrada umas 3 vezes, ao qual eu não liguei e achei que era algum bug, mas quando reparei que a hora prevista de chegada eram as 9.30h aí sim comecei a pensar que algo se passava, mas no calor do momento a minha única preocupação era chegar antes da hora de partida que estava marcada para as 8.30h, o que de acordo como o Gps isso seria impossível. Entre sair da Auto-estrada no local errado, perseguir carros com bicicletas, e outras peripécias lá acabei por chegar às 7h da manhã à Lousã, com tempo para acalmar os nervos!

Foi tempo de tirar a bicicleta, colocar dorsal e outras tantas verificações de ultima hora e siga para a linha de partida. Se alguma coisa teve de bom o stress matinal foi estar de olho bem aberto aquando do tiro de partida. O início, apesar de nos primeiros kms o andamento ser controlado pela organização, foi bastante rápido e a sucessão de pequenas subidas fizeram os primeiros estragos no pelotão.


Os kms iniciais foram ao longo de um vale coberto de verde, daquele verde cerrado onde em algumas zonas a luz teimava em penetrar, em parte também devido ao nevoeiro  da manhã. Com o passar dos kms chegou a primeira subida digna de nome, foram uns longos 13,2 kms até ao alto de Portelas das Cabeçadas, apesar da inclinação média ser de 4,3%, provavelmente por ser a primeira, doeu um pouco, principalmente os primeiros kms, mas a chegada ao topo, com paisagens de tirar o fôlego semeadas de turbinas eólicas é algo de maravilhoso. Foi o cenário perfeito para o primeiro abastecimento.


Seguiu-se uma descida espectacular, em estrada larga e bom piso, apetecível à velocidade, por esta altura juntei-me aos elementos da equipa profissional de estrada EFAPEL, para eles sempre em treino e alegre cavaqueira, mas na subida seguinte acabei por me deixar ficar, pois o andamento deles, apesar de treino, para mim ia um pouco forte. Esta segunda subida, a Picha composta por mais 10,2 kms, tinha um km inicial de quase 8%, mas os restantes eram relativamente fáceis, apesar do piso algo degradado, pois era uma estrada secundária. Foi necessária atenção redobrada na descida até ao segundo abastecimento.

Aqui voltei a encontrar-me com a equipa EFAPEL, que calmamente desfrutava do seu abastecimento, eu enchi o bidon, comi umas peças de fruta e segui viagem para a  derradeira subida ao alto da serra da Lousã, foram uns longos 13km, onde o cansaço acumulado e alguma desidratação se fizeram sentir, não fosse pela boleia da EFAPEL e de mais alguns companheiros e teria demorado o dobro do tempo, assim com o apoio moral de todos os que lá estavam e entre algumas brincadeiras, atingimos o topo de serra e a nossa meta virtual, ficando a faltar uma longa descida não cronometrada de 20kms até à vila da Lousã. 

Ainda deu para apreciar algumas Aldeias de Xisto ao longo da descida, onde bastantes ciclistas paravam para re-hidratar, leia-se beber cerveja. Está provado que a cevada é optima nestas situações. Apenas uma garrafa! Como disse anteriormente, foi uma longa descida, parecia que nunca mais tinha fim, mas mais uma vez com paisagens de tirar o fôlego. 

No fim da descida, encontrava-se a nossa meta final, foram 108 kms com 2025m de desnível, apesar de o meu STRAVA ultrapassar os 3000m, podem ver aqui. É um facto cientificamente comprovado de que com o acumular de kms, principalmente nos eventos, tudo se vai tornando mais fácil e não fosse pelo dia à dia preenchido, trabalho e familia e estas provas seriam bem mais fáceis, mas também quem é que disse que ser pai é fácil! Eu adoro a paternidade e dela não abdico, por isso a minha paixão desportiva vai ter de seguir em ritmo cruzeiro, mas uma coisa vos prometo, vou continuar e com ambições cada vez maiores.


When I decided to participate in Mediofondo Aldeias do Xisto, the first thought was, September 11! less than two weeks after the family holidays! it will hurt! But the truth is that these family holidays were entitled to few but good morning training with the bike, so the legs did not suffer even half of that i experienced in Mediofondo Serra da Estrela.

When I participate in sporting events, with some degree of hardness and involving trips of some tens of kilometers, I like to go at least on the eve, so the jet lag is minimized on the day of competition. All this involves some logistical planning, including verification of accommodation availability and their reserves, work that is facilitated when we have partners, however the choice of possible accommodation has yet to be made by us, sent by email and wait for the availability and confirmatory marking or in case of inability, again seek new accommodation.

For this event, everything was done during our vacation and i didn't thought about it until a few days before, when I remembered that i had not received any response to my request. The email had gone to spam and no one had received it and now, so over time the likelihood of finding accommodation was smaller, so less than two days from de event there was no availability. My first reaction, i'm not going !!!

But as I am not one to conform, I decided i would go on the morning of racing day, with everything that entails. And so it was, I got up at 4 am to take time to dispatch my self calmly and make the trip smoothly without any surprises, ye right, with me things are never simple, this time the silly me, in lack of a worse name, when introducing the address on the car Gps, did not notice that the toll option was not selected, as a result, until reaching Santarém, the part of the journey that I knew what to do, the Gps told me to get out of the highway 3 times, which I did not care and thought it was a bug, but when I noticed that the estimated time of arrival were the 9.30am then yes I began to think that something was wrong,  but in the heat of the moment, my only concern was to arrive before the departure time that was scheduled for 8.30 am, which according to the Gps it would be impossible. Between leaving the motorway in the wrong exit, chasing cars with bikes and other episodes, i ended arriving at 7 am to Lousã, with time to calm the nerves!

It was time to take the bike of the car, put the number one and some other last minute check ups and head to the starting line. If something had to came from the morning stress, was that i had a opened eye at the starting gun. The beginning, though in the first kms the progress was controlled by the organization, was quite fast and the succession of small hills made the first havoc in the peloton.

The initial kms were over a valley covered with green, that green savanna where in some areas the light was stubbornly in penetrating, partly also due to the morning fog in. Over the kms we reached the first climb worthy of the name, were a long 13.2 km to the top of Portelas das Cabeçadas, despite the average slope was 4.3%, probably for being the first, it hurt a little, especially the first kms, but the arrival at the top, with breath taking landscapes  and fill with wind turbines is something wonderful. It was the perfect setting for the first supply stop.

A spectacular descent was followed with large road and good pavement, desirable to speed, by this time I joined the elements of the professional cycling team of EFAPEL, for them always in training and cheerful prattle, but on the next climb i just ended sitting out, because there speed, although training, for me was a bit strong. This second climb, to Picha comprised of over 10.2 kms, had an initial km of almost 8%, but the remaining were relatively easy, the pavement was a bit degraded because it was a secondary road. It took extra care on the descent until the second supply.

Here I came to meet with the EFAPEL team who quietly enjoyed his supply, I filled the bidon, ate a few pieces of fruit and continued my trip to the final ascent to the top of the Lousã mountain range, made of a long 13km, where the accumulated fatigue and some dehydration were felt, not for the company of EFAPEL and a few other companions and i would have taken twice the time, so with the moral support of all who were there and among some playful times, we reached the top of the mountain and our virtual goal, just missing a long, not timed, 20kms descent to the town of Lousã.

Still had time to enjoy some Aldeia do Xisto along the descent, where quite a few cyclists stopped to rehydrate, read to drink beer. It is proved that barley is optimal in these situations. Only one bottle! As I said earlier, it was a long descent, it seemed that it would never end, but again with breathtaking landscapes.

At the end of the descent, was our final goal, 108 kms with a accumulated elevation of 2025m, even though my Strava exceed 3000m, see here. It is a scientifically proven fact that with the accumulation of kms, especially in events, it is becoming easier and not for the daily routine, work and family and these events would be much easier, but who said parenting is easy! I love fatherhood and i won't give up on it, so my sporting passion will have to continue on a cruising pace, but one thing I promise you, I will continue and with even greater ambitions.

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