12 de dezembro de 2016

FIBROMIALGIA, A DOR QUE NUNCA TERMINA, MAS QUE NÃO ME DERRUBA…

12.12.16
Há cerca de oito anos atrás, depois de ser mãe comecei a ter muitas dores musculares, cansaço generalizado e alguma apatia. Médico para aqui, exames para acolá, reumatologista e nenhuma conclusão…

Comecei a fazer caminhadas e andar de bicicleta muito pontualmente e melhorei um pouco. Fui esquecendo os médicos, mas, as dores continuavam cá, mas de forma menos persistente. A dada altura, uma amiga desafiou-me para correr e melhorei bastante. Nunca corri sem dores e pensei que era assim mesmo que tinha de ser, mas, as constantes contraturas, lesões que demoravam uma eternidade a tratar, levaram-me a um fisitatra (especialista em dor crónica) que me disse: “Isto que a Cláudia tem é igual à fibromialgia. Aconselho a fazer novos exames e ficar alerta para esta situação”.

Assim o fiz, fui ao médico e mais uma carrada de exames e análises. A suspeita de fibromialgia vinha-se a confirmar. Fiquei triste, desolada, com a sensação de que o mundo tinha desabado aos meus pés. Fiquei revoltada, não por ter uma doença, mas por ser crónica e não ter cura. A fibro (como gosto de lhe chamar), não mata e não é degenerativa, mas dói muito e a forma silenciosa como nos tira a energia e nos consome é uma treta. Para além da fadiga e da dor física, existe a dor da incompreensão, do julgamento: “ah isso não é nada”, “isso é ansiedade”, “é a doença da moda”, “isso é tudo da tua cabeça” …

Por isto, ponderei se deveria partilhar esta minha condição e acabei por o fazer com os amigos e com o meu Grupo de corrida (Run Crew Trail Montijo). Agora partilho convosco e não quero ser a coitadinha, não quero ser a maior, quero apenas partilhar e quem sabe inspirar alguém.

Depois do diagnóstico confirmado e da revolta, serenei e assentei ideias. Foi-me recomendado que continuasse a fazer exercício físico e que alterasse a minha alimentação. No que respeita à alteração alimentar, recomendaram que eliminasse o trigo, alguns lacticínios e o açúcar porque inflamam. Posto isto, fui pesquisar e descobri que existe o Regime alimentar Paleo e que têm um protocolo para doenças autoimunes. Contactei a Joana Moura e comprei o seu livro (Detox 30 dias para mudar de vida). Fui colocando em prática a “dieta” Paleo e, dois meses depois comecei a sentir melhorias, a dormir melhor, menos rigidez muscular e mais energia.

O aconselhamento médico correcto, algumas alterações ao regime alimentar e apoio de amigos e família, fizeram com que tivesse uma postura mais positiva. Descobri que a melhor medicação é continuar a praticar desporto e correr sempre que conseguir. Ontem fui participar no 59º Grande Prémio de Natal EDP e fui feliz sem que tivesse mais dores que as que me acompanham diariamente e isso é o melhor tratamento. Dar o meu máximo, conseguir superar-me são os meus analgésicos! 

E quando não tiver pernas ou não conseguir respirar vou pensar que me estou a superar e vou ficar radiante, com motivação para conseguir voltar no próximo dia. Talvez ainda consiga fazer melhor no dia seguinte e é isto que me motiva. A sensação de frustração não é fácil gerir, mas, na realidade, faço muito, faço mais do que aqueles que ficam no sofá por mera preguiça. A sensação de frustração é muito difícil de gerir, não conseguir completar o treino que anteriormente era canja... Eu treinava 10 km em bom ritmo, corri meias maratonas e agora faço o que posso. Não é fácil saber que já consegui mais do que agora e que, provavelmente, não irei conseguir muito mais. Neste momento, tento mentalizar-me que amanhã é um novo dia. Posso não conseguir hoje, mas amanhã vou tentar de novo e vai haver um dia em que consigo e me vou superar. As dores, essas não vão embora mesmo sem correr. A diferença é que vai continuar a doer, mas irei superar-me. Portanto é continuar a lutar e, daqui a um ano, de certeza, que vai ser uma grande evolução.

O caminho é não desistir, seguir em frente e acreditar! Há dias da treta, em que as dores dominam a esperança de que virão aí dias bem melhores. Quem me conhece sabe que sou bastante optimista e positiva, mas nem sempre é fácil. Eu sei que vai haver um amanhã melhor, pode não ser já amanhã, mas vai haver. Vai haver um dia em que vou conseguir correr como gostaria, vai haver um amanhã que me fará sorrir. Amanhã vai ser muito melhor, melhor que ontem.

Continuo a correr, não treino como treinava, mas continuo a superar-me e recuso-me a deixar vencer pela fibro.

Cláudia Romão



About eight years ago, after being a mother, I started having a lot of muscle pains, generalized tiredness and some apathy. Doctor for here, exams for there, rheumatologist and no conclusion ...

I started hiking and cycling very punctually and I improved a bit. I was forgetting the doctors, but the pains continued here, but in a less persistent way. At some point a friend challenged me to run and I improved a lot. I never ran without pain and I thought it was just the way it had to be, but the constant contractures, injuries that took forever to treat, led me to a physiatrist (chronic pain specialist) who told me: "This that Claudia has is equal to fibromyalgia. I advise you to take further tests and be alert to this situation. "

So I did, I went to a doctor and another one full of tests and analyzes. The suspicion of fibromyalgia was confirmed. I was sad, desolate, with the feeling that the world had collapsed at my feet. I was disgusted, not because I had an illness but because it was chronic and had no cure. The fibro (as I like to call it), does not kill and is not degenerative, but it hurts a lot and the silent way in which it takes away the energy and consumes us is a trick. Apart from fatigue and physical pain, there is the pain of incomprehension, of judgment: "this is nothing", "this is anxiety", "it is the disease of fashion", "this is all from your head" ...

For this reason, I pondered whether I should share my condition and I did so with friends and with my Run Crew Trail Montijo. Now I share with you and I do not want to be the poor thing, I do not want to be the greatest, I just want to share and maybe inspire someone.

After the confirmed diagnosis and the revolt, I settled down and settled ideas. It was recommended that I continue to exercise and change my diet. Regarding the food change, they recommende that you eliminate wheat, some dairy products and sugar because they sweall. Having said that, I went to research and discovered that there is the Paleo diet and they have a protocol for autoimmune diseases. I contacted Joana Moura and bought her book (Detox 30 days to change my life). I started putting the Paleo "diet" into practice and two months later I started to feel better, sleep better, less muscle stiffness and more energy.

Correct medical advice, some changes to the diet, and support from friends and family have made me more positive. I have found that the best medication is to continue to practice sport and run whenever i can. Yesterday I went to participate in the 59th EDP Grande Prémio do Natal and I was happy about not having any more pains than the ones that accompany me daily and this is the best treatment. Giving it my best, overcoming me, are my painkillers!

And when I do not have legs or can not breathe, I'll think I'm getting over it and I'll be beaming, motivated to get back the next day. Maybe I can still do better the next day and that's what motivates me. The feeling of frustration is not easy to manage, but in reality I do a lot, I do more than those who stay on the sofa for mere laziness. The feeling of frustration is very difficult to manage, unable to complete the training that was formerly piss of cake ... I trained 10 km in good rhythm, ran half marathons and now I do what I can. It is not easy to know that I have achieved more than now and that probably will not achieve much more. At this point, I try to keep in mind that tomorrow is a new day. I may not get it today, but tomorrow I will try again and there will be a day when I can and I will overcome. The pains, these do not go away even without running. The difference is that it will continue to hurt, but I will surpass myself. So i will continue to fight and, in a year, for sure, it will be a great evolution.

The way is not to give up, to move on and believe! There are days of bullshit, where pains dominate the hope that better days will come. Those who know me know that I am very optimistic and positive, but it is not always easy. I know there will be a better tomorrow, it may not be tomorrow, but there will be. There will be a day when I can run as I would like, there will be a tomorrow that will make me smile. Tomorrow will be much better, better than yesterday.

I continue to run, I do not train as I did, but I continue to overcome myself and refuse to let myself be beaten by the fibro.

Cláudia Romão

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