20 de dezembro de 2016

TRÓIA-SAGRES | #1 A VISÃO DE QUEM ACOMPANHA

20.12.16

Ser mulher de ciclista já me levou a sítios lindíssimos, já me fez dar uns bons passeios, e já me serviu de pretexto para escapadinhas a dois. Hoje venho falar-vos de uma dessas experiência, o acompanhar de um passeio informal de ciclismo de estrada, que se repete todos os anos há 27 anos, faça chuva ou faça sol.

Já tínhamos participado em 2014, na edição em que se celebraram os 25 anos deste evento desportivo, mas a meteorologia não ajudou e com a chuva e o vento que se fizeram sentir, o número de participantes diminuiu significativamente pelo que foi bastante mais difícil ter a verdadeira percepção do que é a dimensão do Tróia-Sagres. Desta vez o sol brilhava e a previsão era de um dia bonito, e isso fez toda a diferença em termos de número de participantes.

O Tróia-Sagres não é uma organização. Nasceu de um objectivo pessoal de uma pessoa, que um dia, para se desafiar a si próprio, o decidiu começar a fazer todos os anos. Daí até o número de participantes chegar aos números das últimas edições foi um ápice. Estima-se que ultrapassa os 2000 ciclistas e tudo faz crer que será sempre a crescer! O Percurso do Tróia-Sagres são 200 Kms medidos com GPS. A partida informal dá-se por volta das 8h em Tróia, mas a verdade é que vão havendo partidas sucessivas de grupos desde bem cedo.

Sendo uma prova sem organização, sem policiamento, sem regras impostas, há que apelar ao bom senso dos ciclistas e dos condutores que os acompanham, pois só assim será possível efectuar o trajecto em segurança. As estradas que são percorridas têm o trânsito normal, e dado o volume de ciclistas envolvidos, poderá haver situações de congestionamento de trânsito, o que terá que ser gerido com calma e bom senso. Mas, infelizmente, não é isso que se vê e este ano a minha perspectiva da coisa tornou-se ainda menos positiva do que era. A decisão ficou tomada: não voltamos a participar. Não quero com isto dizer que não voltaremos a fazer o percurso, mas não neste dia, correndo tanto risco, se a segurança continuar a ser a que se tem verificado.


Como condutora de veículo de acompanhamento, para mim os primeiros quilómetros são os piores. Há menos largura de estrada, os ciclistas estão "cheios de força" e os pelotões sucedem-se, o que faz com que ultrapassar se torne uma tarefa quase impossível. Tentando seguir as recomendações da "organização", adopto sempre a postura que costumo adoptar em todas as provas de ciclismo que acompanho sem seguir atrás do grupo, mas sim a parar de "x" em "x" quilómetros, em sítios recolhidos nas bermas das estradas, e sempre respeitando o código da estrada. 

A verdade é que a maioria dos carros de apoio não o faz, a verdade é que também nos ciclistas se vêem comportamentos de risco que põem em causa a segurança de todos, e a verdade é que se vêem situações de deitar as mãos à cabeça em que nos ficamos a questionar como é que não acontece nada pior.


A minha primeira paragem após a saída de Tróia foi no cruzamento de Vila Nova de Santo André. Tinha planeado parar apenas em São Torpes, cerca de 70 km após a partida, mas precisei de o fazer antes, pelo que bebi uma meia de leite no Café Arsénio, onde ficam a saber que têm wi-fi disponível e uma casa de banho limpa. O atendimento não prima pela simpatia mas a meia de leite era boa! Nesta paragem não fiquei à espera do "meu" ciclista seguindo mais 20 km para o ponto que tínhamos combinado, em São Torpes. Ele passou, e não parou! Paragem seguinte: Vila Nova de Milfontes, logo depois da ponte. Parou, deu umas dentadas numa sandwich de presunto e queijo, bebeu coca-cola e voltou a fazer-se à estrada para apanhar um grupo com uma boa pedalada e continuar em bom andamento. 

A paragem seguinte foi no Rogil, volvidos mais 48 km. Comprei pão, umas broas de especiarias deliciosas e fiquei à espera. Uns 10 minutos depois lá chegou ele, voltou a parar, deu mais duas dentadas na mesma sandwich voltou a encher os bidons e partiu novamente.


Depois deste ponto, e sabendo que as pernas já começavam a ressentir-se e o cansaço a pesar, comecei a fazer paragens mais ou menos de 20 em 20 km, para precaver a eventual necessidade de apoio. Só praticamente na Pedralva foi necessário voltar a encher um bidon com electrólito e BCA [recolhido e entregue sempre em andamento] e foi directo até Sagres! 



Enquanto estive parada junto à placa da Vila, fotografei vários ciclistas e testemunhei a alegria da superação da maioria deles, afinal, fazer 200 km em bicicleta não é para qualquer um. 



Como acompanhante, vi coisas perigosas, vi acidentes que não aconteceram porque não calhou, vi ultrapassagens feitas em locais inimagináveis. Face à dimensão que este evento já assume no quadro desportivo Nacional, já merecia uma organização, segurança, abastecimentos e apoio. 

O meu desejo para todos os que planeiam voltar a participar, é que cheguem sãos e salvos. Quanto a nós, faremos certamente o percurso mais vezes, mas em dias menos concorridos, em que seja mais fácil manter o cumprimento do código da estrada e a segurança se quem nela segue viagem.



Being a cyclist's wife has already taken me to beautiful places, she has already made me have some good walks, and it has already served as a pretext for two little girls. Today I'm talking about one of these experiences, the accompaniment of an informal road cycling tour, which is repeated every year for 27 years, rain or shine.

We had already participated in 2014, in the edition in which the 25 years of this sporting event were celebrated, but the meteorology did not help and with the rain and the wind that felt, the number of participants decreased significantly, reason why it was much more difficult to have the True perception of what the size of the Sagina-Trojan is. This time the sun was shining and the forecast was a beautiful day, and that made all the difference in terms of number of participants.

The Tróia-Sagres is not an organization. It was born of a personal goal of a person, who one day, to challenge himself, decided to start doing it every year. From there until the number of participants arriving the numbers of the last editions was a summit. It is estimated that it surpasses the 2000 cyclists and everything makes believe that it will always grow! The Route of the Tróia-Sagres are 200 Kms measured with GPS. The informal game takes place around 8am in Troy, but the truth is that there are successive groupings since early days.

Being a test without organization, without policing, without rules imposed, it is necessary to appeal to the common sense of the cyclists and the accompanying drivers, because only then will it be possible to make the safe journey. The roads that are traveled have normal traffic, and given the volume of cyclists involved, there may be situations of traffic congestion, which will have to be managed with calm and common sense. But unfortunately, that's not what you see and this year my perspective on the thing has become even less positive than it was. The decision was made: we did not participate again. I do not want to say that we will not do the course again, but not today, at such a high risk, if security continues to be the one that has been verified.

As the driver of an accompanying vehicle, for me the first few kilometers are the worst. There is less road width, cyclists are "full of strength" and the squads succeed, which makes overtaking become an almost impossible task. Trying to follow the recommendations of the "organization", I always adopt the posture that I usually adopt in all the cycling events that I follow without following behind the group, but rather stopping from "x" to "x" kilometers, in places collected on the Roads, and always the road code.

The truth is that most support cars do not, the truth is that cyclists also see risky behaviors that jeopardize the safety of everyone, and the truth is that you see situations of putting your hands to the head in That we wonder how nothing worse happens.

My first stop after the departure of Troy was at the intersection of Vila Nova de Santo André. I had planned to stop only in San Torpes, about 70 km after departure, but I had to do it before, so I drank a half of milk at Café Arsenio, where they find out that they have wi-fi available and a clean bathroom . The service was not overpowering but the stocking of milk was good! At this stop I did not wait for the "my" cyclist to follow another 20 km to the point that we had agreed in São Torpes. He passed, and did not stop! Next stop: Vila Nova de Milfontes, just after the bridge. He stopped, took a bite of ham and cheese, drank coke and went back to the road to pick up a group with a good pedal and keep going well.

The next stop was at Rogil, after another 48 km. I bought bread, some delicious spices, and waited. About ten minutes later, he arrived, stopped again, took two more bites in the same sandwich and refilled the cans and left again.

After this point, and knowing that my legs were beginning to resent and fatigue to weigh, I began to make stops more or less every 20 km, in order to avoid any need for support. Only in Pedralva was it necessary to refill a bidon with electrolyte and BCA [collected and delivered always in progress] and went straight to Sagres!

While I was standing by the sign of Vila, I photographed several cyclists and witnessed the joy of overcoming most of them, after all, doing a 200 km bike ride is not for everyone.


As an escort, I saw dangerous things, I saw accidents that did not happen because they did not work, I saw overtaking done in unimaginable places. In view of the dimension that this event already assumes in the national sports, already deserved an organization, security, supplies and support.

It is my wish for all those who plan to return, that they come safe and sound. As for us, we will certainly make the journey more often, but on less crowded days, where it is easier to maintain compliance with the road code and safety if anyone on the road follows.

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