27 de junho de 2019

ALVALADE - PORTO COVO

27.6.19
Desde os anos 90, nos primórdios da minha aventura em duas rodas que oiço falar na maratona de BTT Alvalade - Porto Covo. Se durante as suas anteriores 20 edições não a consegui fazer, 2019 foi o ano em que decidi que iria finalmente participar.


E assim foi, no dia 17 de Maio, 2 dias antes do evento, eu e a minha familia fizemo-nos à estrada em direcção à "nossa" casa para o fim de semana, os bungalows da Orbitur Sitava Milfontes onde mais uma vez ficámos bem instalados e relativamente próximos do evento de domingo.


O Sábado foi dedicado a passear em família pela zona de Vila Nova de Mil Fontes, aproveitámos para ficar a conhecer novas praias - quem sabe se no verão não voltamos... e foi também o dia de nos deslocarmos a Alvalade para o credenciamento da maratona. 

Foi um fim de semana onde o espírito ciclista esteve sempre presente, os miúdos aproveitaram para levar as suas bicicletas e assim também tiveram oportunidade de pedalar até mais não.



Sem darmos por isso, o Domingo chegou e como a partida era às 9h, quando o relógio marcou as 7h da manhã, estávamos todos a pé a tomar o pequeno almoço e despachar para sair. Felizmente a excitação de ir ver o pai a pedalar falou mais alto que o sono e o despacho foi relativamente rápido e lá nos dirigimos ao local da partida.





No caminho por diversas vezes fiquei com a sensação de que me teria enganado na hora de partida, tal não foi a quantidade de carros de apoio que se cruzaram connosco na direcção oposta, posteriormente percebi que existem muitos ciclistas que para fugirem ao elevado numero de participantes, apesar do apelo da organização pelo respeito dos horários, optam por partir antes mesmo das 9h.

Os primeiros 10km foram feitos em alcatrão com um constante sobe e desce, típico das estradas Alentejanas que serviu para que a entrada nos trilhos fosse um pouco mais organizada, ainda assim gerou-se alguma confusão, típica dos grandes aglomerados de ciclistas com ritmos de andamento e experiência bastante díspares.

A segunda parte do percurso foi maioritariamente composta por estradões, sem grandes dificuldades, tirando o pó levantado pelas rodas e algumas zonas de areia solta onde as capacidades técnicas de cada um foram postas à prova. Pessoalmente deu para uns momentos bem divertidos e serviu para relembrar algumas das técnicas básicas de pedalar em BTT.

Toda a maratona foi feita a um ritmo bastante regular sem grandes acelerações, apenas foi necessário reduzir a velocidade nas poucas subidas íngremes, como com qualquer ciclista. Como levei o meu próprio abastecimento liquido e sólido, não senti necessidade de parar nos da organização, posteriormente percebi que o deveria ter feito no abastecimento da barragem, pois parece que as sandes de carne são maravilhosas... enfim fica para uma próxima oportunidade.

Tudo corria conforme previsto até à passagem pelo terceiro abastecimento e a faltar qualquer coisa como 10kms que acabaram por se tornar 14,23km. Ouvi um estrondo que pensei vir do ciclista que se encontrava ao meu lado, possivelmente um pneu furado, como ninguém se acusou não liguei e continuei. Uns metros mais à frente comecei a sentir a roda traseira algo presa e ao olhar para a mesma notei que estava empenada. Parei para tentar perceber o que se passava e fiquei momentaneamente congelado.

Raio partido, roda empenada e a roçar no quadro... pensamento inicial, "vou ter de desistir depois de 60km e já tão perto do fim!!!" Não isso não poderia ser a minha única hipótese. Seria a decisão mais racional pois a probabilidade da roda ficar pior e acabar por bloquear era enorme, pior o roçar no quadro poderia danificar irremediavelmente o mesmo... mas como nem sempre somos racionais e no que diz respeito a participações desportivas só tenho um único lema, nunca desistir! - continuei.

Contra todas as probabilidades voltei a montar a bicicleta e decidi tentar a minha sorte, o pior foi que poucos metros mais à frente encontrava-se a maior e mais técnica subida da maratona, seguida de algumas igualmente técnicas descidas mas eu estava determinado a chegar ao fim, nem que tivesse de ir a pé até à linha de meta.

Felizmente não chegou a tanto e após uma descida bastante divertida em modo single track, consegui avistar o oceano Atlântico como pano de fundo, o fim estava próximo. A chegada a Porto Covo é de cortar literalmente a respiração, tanto pela beleza natural como pela rampa final, onde a população e os acompanhantes se juntam para um ultimo incentivo aos atletas. Eu tive a sorte de ter a minha mulher e os meus filhos à minha espera e ainda fizeram questão de vir a correr ao meu lado até cortar a meta. Depois de 74kms melhor era impossível.









No final ficam as recordações de um percurso bastante agradável, muito bem marcado e com 3 grandes abastecimentos, só fiquei um pouco desapontado por no final não ter uma medalha de finisher para mais tarde recordar. 

Fica aqui a sugestão para a organização da 22ª edição do Alvalade - Porto Covo, uma maratona com tamanha tradição no final merece uma medalha de finisher.



Since the 90's, in the early days of my two-wheeled adventure, I've heard of the Alvalade-Porto Covo mountain bike race. If during its previous 20 editions I could not do it, 2019 was the year in which I decided that I would finally participate.

And so it was on May 17, two days before the event, my family and I made our way to "our" house for the weekend, the bungalows of Orbitur Sitava Milfontes where once again we stayed well installed and relatively close to the Sunday event.

Saturday was dedicated to family walks through the area of ​​Vila Nova de Mil Fontes, we got to know new beaches - who knows if we will come back in the summer ... and it was also the day we went to Alvalade for the marathon accreditation .

It was a weekend where the cycling spirit was always present, the kids took their bikes and in so had the opportunity to ride a bit more.

Without realizing it, Sunday arrived and as the departure was at 9am, when the clock struck  7am in the morning, we were all up on foot to have breakfast and dispatch to leave. Fortunately, the excitement of going to see his father pedaling spoke louder than sleep and the dispatch was relatively fast and we headed to the place of departure.

On the way several times I was left with the feeling that I had been mistaken at the hour of departure, such was the amount of support cars that crossed us in the opposite direction, later I realized that there are many cyclists that to escape the high number of participants, despite the organization's appeal for respect of schedules, opted to leave before 9am.

The first 10km were made in tar with a steady up and down, typical of the Alentejo roads that served to make the entrance on the trails a little more organized, still some confusion was generated, typical of the large number of cyclists with different rhythms and levels of experience.

The second part of the course was mainly composed of open roads, without great difficulty, with the exception of the dust raised by the wheels and some areas of loose sand where the technical capacities of each one were put to the test. Personally, it was a fun time and it was a reminder of some of the basic techniques of mountain biking.

The whole marathon was made at a fairly regular pace without major accelerations, only needing to slow down on the few steep climbs, as with any rider. As I took my own liquid and solid refueling  I did not feel the need to stop in the organization points, later I realized that I should have done it in the refueling of the dam, because it seems that the meat sandwiches are wonderful ... well, it's something for the next opportunity.

Everything ran as planned until the third refueling and missing something like 10kms that eventually became 14.23km. I heard a rumble that I thought came from the cyclist at my side, possibly a flat tire, since nobody said anything i paid no attention to it and continued. A few meters ahead I began to feel like if he rear wheel caught something and when looking at it I noticed that it was warped. I stopped to try to figure out what was going on and was momentarily frozen.

Shoot, wheel warped and touching the bike frame ... initial thought, "I'll have to give up after 60km when so close to the end!!!" No this could not be my only option. It would be the most rational decision because the odds of the wheel getting worse and end up blocking was huge, worse the brush on the frame could irreparably damage it... but as we are not always rational and as far as sports participation I have only one motto, never give up! I continued.

Against all odds I went back to riding the bike and decided to try my luck, the worse thing was that a few meters ahead was the biggest and most technical climb of the marathon, followed by some similar technical downhill sections but I was determined to get to the finish line even if i had to walk it.

Fortunately it did not come to that much and after a quite fun descent in single track mode, I was able to see the Atlantic ocean as a backdrop, the end was near. The arrival to Porto Covo is literally breathtaking, both for the natural beauty and the final ramp, where the population and cyclist families come together for a last incentive to the athletes. I was fortunate enough to have my wife and children waiting for me and they still made a point of come running by my side until i cross the finish line. After 74kms better was impossible.

At the end good memories of a very pleasant course, very well marked and with 3 great refueling stations.  I was only a little disappointed for not having a finisher medal to show.


I leave here the suggestion for the organization of the 22nd edition of Alvalade - Porto Covo, a marathon with such a tradition at the end deserves a finisher medal.

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